Saturday, March 07, 2009

ilustração: márcia cardeal
pouco a pouco, as pequenas coisas
desistem de você
como se desiste do sol que não veio
do araçá maduro na fruteira
da explicação do menino para
o desenho do sol olhando para baixo
numa cidade-fornalha
pouco a pouco, sem perceber
você veste a máscara
e, como todos, faz de conta
que entende tantos parágrafos vazios
artigo décimo terceiro
do capítulo cinco do estatuto
do conselho-de-não-sei-o-quê
pouco a pouco, como um jack-in-the-box
com a mola quebrada
seu personagem esquecido
também esquece
que para andar sobre nuvens
não é preciso mapas, nem regulamentos
pouco a pouco, não haverá mais nada
e tanto faz

14 comentários:

Ricardo Valente said...

As palavras que saem são firmes, como a mão que as escrevem, que sentem o autor. Há muita força. Embora o peso, ainda se consegue caminhar em nuvens. O poema ficou amargamente lindo! O desenho, tuas cores, teus traços... Beijo!

Márcia(clarinha) said...

O tanto faz é triste...desolador.
Que venha o sol.

lindo dia flor
beijos

Márcia(clarinha) said...

O tanto faz é triste...desolador.
Que venha o sol.

lindo dia flor
beijos

marcos pardim said...

(...) e tanto fez. e tanto fará: somados, formam o tríptico da tristeza nossa de cada um dos dias... bj

Suzana Mafra said...

entrei aqui pra ler o que se escrevia dentro de mim, por trás da máscara que detesto usar.

Beijo!

O Teórico said...

Gostei muito daqui. Voltarei. Beijos

FERNANDA said...

"... pouco a pouco a mundo, a humanidade perdem tantas flores...
mas, muitas sementes são preservadas e, delas, surgem momentos a serem vividos e, lembrados a todos instante...."

Obrigada Marcia por esse momento tão lindo!!!

Obs: adorei o que a Suzana Mafra escreveu. Lindo!

Beijos!!!!!!!!!!

Cynthia Lopes said...

Márcia que linda ilustração, que lindos versos, pouco a pouco percebemos e somos crianças, outra vez. bjs

CeciLia said...

suspiros, Márcia.

Pouco-a-pouco decifras o que muitas vezes gostaríamos de dizer - e nem sabemos.

Beijos, querida.

Valéria said...

eu que não quero que as pequenas coisas desistam demim... tenho cansaço das "grandes" coisas...
beijo

CeciLia said...

Ah, minha querida

e esse pouco-a-pouco é o que
desmancha os significados
obscurece os dias e
desiste dos sabores
das frutas na fruteira.

Beijo, querida, saudade das tuas imagens

CeciLia said...

Márcia, querida, tem uma surpresa pra ti lá na casa que orbita em Vênus. Dá uma olhada. Beijo,

Anonymous said...

Oi Márcia!!!
Vou lhe mandar um contra ponto de sua poesia que meu Porfessor Ricardo Engel.

Pouco a pouco, as pequenas coisas
Criam sentido pra você
Como um Sol esperado que enfim chega
Como o aroma do araçá maduro,
Como a explicação do menino para
O desenho do sol olhando para o mundo
Brilhando em todas as cidades
Pouco a pouco, sem perceber,
Você se despe da máscara
E, diferentemente do senso comum,
Compreende a exegese dos parágrafos, artigos e
Capítulos da vida.
Pouco a pouco, você percebe, como personagem singular da história,
Que não é preciso mapas, nem regulamentos para andar sobre nuvens,
Viajar com o pensamento, fazer vibrar a alma com o por do sol,
Pouco a pouco, renasce a esperança e o Amor.
E aí, aí só ele mais importa.
(Professor Ricardo Engel)

Beijão
Saudade de suas imagens, seus escritos, de você.

Fernanda Cabral.

Anonymous said...

Obs: esqueci a palavras "fez", depois de: Professor Ricardo Engel.
risos.
blz
Fernanda Cabral