então ficam aos poucos as paisagens para trás.
o olho acompanha a curva do vento, mas não é o vento.
o olho não adormece como antes,
está preso ao que vê.
o sol nasce nos olhos, de vez em quando,
mas eles não podem tocá-lo.
então ficarás agora novamente entre paredes
que guardam marcas da unha do tempo.
o chá que bebes tem cheiro de coisas esquecidas
e do que é preciso esquecer.
antes que as fendas se abram e exponham teus abismos,
a seda troca de lugar com a aspereza das segundas-feiras
iniciadas aos tropeços de sono e cansaço.
para isso nos moldaram, para silêncio e distância.
a mão não toca o que o olho vê (e quer).
só o vento.
mas ele não passa por aqui.


4 comentários:
Que lindo texto!!!
Guardei em mim...e pra mim!
Como é bom te ouvir!
Obrigada pelo lindo texto!
Abraço
Tomo uns cafezinhos na correria daqui, como se bebesse o cotidiano. Sinto as unhas do tempo nisso. Texto primoroso. Paulo Viggu - Riodaqui
passei pra te visitar e deixar um beijo...tudo tão lindo que faz até chorar...adoro vc...um beijo e xau
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