Monday, October 26, 2009


Eclipses em desvão de caminho.
Dorme embaixo do texto
a vontade, o desejo de.
Vésperas. Por fora, no possível,
plausível e palpável,
grita o lugar-comum
da palavra previsível, ensaiada.
Esperas. Aquilo que tem trânsito livre,
o que pode, o permissível.
Eu escorrego, vadiando nas entrelinhas,
enquanto espero, ainda.
Ponto de partida para lugar nenhum,
zero a zero,
até quando,
até quanto,
até que.
Desabismos dos quases.
Antecedências anunciadas.
O branco inaudível,
inexplorado e inconcluso.



O que segura o futuro são apenas colunas de vento.

6 comentários:

Carlos said...

...tanta alegria sua, e eu aqui dormindo Kafka e sonhando Elephant Gun...sob a marca do corvo. Beijos.

Suzana Mafra said...

Marcia
precisava da leitura de um poema assim, feito este, para preencher os azuis deste domingo.
Beijo

CeciLia said...

Márcia,
tem leveza, sim, beleza tabém, e muita, mas... e essa tristezinha que dorme na beirada da frase, esse vento morno, o que é?

Beijo, guria

zyzza said...

Lindo isto...
E as esperas... e o zero a zero...
ah!!! como isto acontece.

Valéria C. said...

adoro isso de entrelinhas... penso que a vida é o que existe entre as entrelinhas...
beijo

Outras memórias said...

Amei o texto...