Eclipses em desvão de caminho.
Dorme embaixo do texto
a vontade, o desejo de.
Vésperas. Por fora, no possível,
plausível e palpável,
grita o lugar-comum
da palavra previsível, ensaiada.
Esperas. Aquilo que tem trânsito livre,
o que pode, o permissível.
Eu escorrego, vadiando nas entrelinhas,
enquanto espero, ainda.
Ponto de partida para lugar nenhum,
zero a zero,
até quando,
até quanto,
até que.
Desabismos dos quases.
Antecedências anunciadas.
O branco inaudível,
inexplorado e inconcluso.
O que segura o futuro são apenas colunas de vento.

6 comentários:
...tanta alegria sua, e eu aqui dormindo Kafka e sonhando Elephant Gun...sob a marca do corvo. Beijos.
Marcia
precisava da leitura de um poema assim, feito este, para preencher os azuis deste domingo.
Beijo
Márcia,
tem leveza, sim, beleza tabém, e muita, mas... e essa tristezinha que dorme na beirada da frase, esse vento morno, o que é?
Beijo, guria
Lindo isto...
E as esperas... e o zero a zero...
ah!!! como isto acontece.
adoro isso de entrelinhas... penso que a vida é o que existe entre as entrelinhas...
beijo
Amei o texto...
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